quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ah, é tanta coisa...

Pensei que não voltaria mais aqui. A última vez que escrevi qualquer coisa pro blog foi em janeiro, e, ainda assim, já havia bloqueado a privacidade do blog. Estava decidido: ia mudar de endereço.
 
Fui amadurecendo a ideia e hoje já estão quase nítidos pra mim o nome, a estrutura, o conceito e alguns esboços do layout (os freebies da follow your dreams tem sido de grande estímulo, devo dizer). Mas não imaginei que voltaria ao lua e brisa pra falar sobre isso. Tô sensível e estésica. Deve ser a tpm. E a aula de hispánicas ontem sobre vanguardias europeas.
 
Mas - se é que este é o post derradeiro -, pensando bem, acho justo oficializar a despedida do blog num post que o encerre, definitivamente, mesmo que eu volte a torna-lo privado, depois. Dos meus 3 blogs na mesma linha que este (desconsidero o anônimo e o anoréxico), o lua e brisa foi o que durou mais tempo. 2011-2015 é um verdadeiro recorde.
 
Comecei e terminei dois namoros aqui. Comecei outro. Me joguei aqui. Passei do Ensino Médio pra faculdade, vivi meu trote, compus, criei, sonhei, vivi. Fui do teatro musical pro social, e comecei a escrever uma peça que junta os dois. Dei minha primeira aula, consegui um estágio dos sonhos, conversei com tanta gente boa de fora do Rio! Fui tão triste e tão feliz! Aqui, aqui, aqui. Sob um luar que ilumina tudo e uma brisa leve, mas que faz dançar até a mais sisuda das árvores. Ao som de Chico. É, meu queridinho, meu refúgio, meu alento de tanto tempo, acho que terminamos por aqui. Mas tenho cer-te-za de que vamos nos falando e de que você não vai virar a cara pra mim que nem a minha ex ta fazendo sem motivo nenhum e que seremos grandes amigues por siempre. Como se dizia nos tempos de Orkut, amo/sou lua e brisa. Literalmente.
 
Mudei, es cierto. Sou a mesma, mas mudei, entende? Então, eu (meu eu-sonho) não posso mais morar aqui.
 
Pensava em alterar o nome da página (no facebook) desse blog pro nome do blog que virá, e vincular blog e page à minha produção de cadernos, pra ampliar e facilitar o processo de divulgação etc que, confesso, me dá uma preguiça danada de fazer. Mas lendo alguns blogs aleatórios por aqui, acabei pensando que talvez o blog precise ter mais cara de diário do que eu pensei. (Lê-se: talvez eu precise disso. Até porque meu diário acabou, e eu tô esperando a Yaiá trazer meu novo do Caribe ao invés de tomar vergonha na cara e fazer um caderno pra mim).
 
Dos que andei visitando, o mundo da Ana foi o que mais mexeu comigo. Essa história dela de fazer posts com os desejos da semana me lembrou aquela oficina de teatro acessível em que o cara falava da menininha do livro da mãe da Tatá Werneck, que se perguntava diariamente qual era seu sonho do dia. Não as metas do ano (que foram as responsáveis por me fazer chegar, do meu velho conhecido blog da Fran, até o blog da Ana), não os sonhos da noite: os sonhos do dia. As metas do hoje. A razão de sair da cama quentinha hoje.
 
Hoje tenho que entregar os cadernos das meninas pra Marininha, lá no Rio Sul, mas isso eu faço com gosto. Hoje meu amorzinho ta numa angústia sem fim pela incerteza do vestibular - disse que não quer ver ninguém. Mas ta ok, porque eu não ia ter tempo. Teoricamente, depois do Rio Sul, hoje eu deveria ir ao grupo de estudos do Motta. Eles vão trabalhar até o capítulo XVI do Dom Quixote, mas eu ainda tô no meio do XII, sem pressa nenhuma de terminar.

Lembro da época em que estive em depressão e minha então terapeuta dizia "seja gentil com você". Nesse momento o que me dá gana é escrever este post, então é o que farei. E ponto. Na hora decido se vale a pena ir ao Motta ou se vou pra casa planejar a aula de sábado ou se dane-se tudo e vou ver aqueles filmes da Audrey que a Zuzu me emprestou, ou conferir se o Popcorn Time ta funcionando direitinho.
 
Hoje vou mimar meu ego, e é isso aí. Minha única prioridade vai ser a hora de dormir. Chega dessa correria louca me outorgando o que é prioridade, quando quem sente as consequências sou eu.
 
Até a próxima lua!
(ou não)
 
Besos livianos,

Zanni
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vinte centavos e um café

   O preço da passagem subiu para R$3,40. Extrapolou o absurdo. Moro perto da faculdade e, quando dá, vou à pé. Hoje não dava: combinei de encontrar às 19h30 com uma amiga, para devolver uma saia emprestada há meses. Ela tinha pressa e eu já não tinha mais ânimo para estudar, então calcei o chinelo e, com algum sono, saí rumo ao ponto de ônibus. Trazia no bolso do short duas notas de R$5. Pensei: ótimo! O dinheiro dá certinho para ir e voltar de ônibus e ainda comprar um café. Mas hoje não dava.
   Cheguei no ponto e o 239 estava quase saindo. Servia para mim. Teria dado tempo de correr e alcançar, mas eu estava com sono. Não tardaria para passar outro que me servisse. Encostei no poste, entediada, e uma mulher me perguntou e eu ia pegar o 711. Pensei em questionar o porquê da pergunta, mas lhe disse que me servia, sim. Ela então perguntou se eu poderia inteirar sua passagem, exibindo-me umas parcas moedinhas pousadas sobre a mão suja. Respondi que sim.
   As unhas eram curtas. Era mulher. Uma barba rala no rosto, e era mulher. O cabelo comprido e crespo preso num rabo-de-cavalo igual ao meu. Era igual ao meu, era igual a mim, era mulher! Outrora ouvira: "mas e Deus? mas e o inferno? mas e teu papel no mundo? mas você acha isso bonito? mas que sem vergonhice!". Era elA. Era eu. 
   Perguntou quanto custava mesmo a passagem. Disse-lhe o preço. Ela se espantou. Perguntou-me se eu me lembrava das manifestações contra o aumento das passagens em 2013. Conversamos, indignadas. Passou 638, passou 433, e mais um tanto de ônibus que servia para mim, que tinha marcado hora com a amiga e queria café. Mas não titubeei quando ela me pediu o dinheiro que faltava, e sem me arrepender, sabia que abrira mão do café. Sorvi sua pele. Tomei sua dor. Era quente e sem açúcar. O sono passou.
   Subimos no ônibus, paguei duas passagens. Passamos pela horrenda roleta. Ela me agradeceu. Assenti num sorriso. Sentei-me num lugar e ela noutro, mais atrás. Afastamo-nos para sempre, e para sempre estaríamos unidas pelo fardo de sermos mulheres com a ousadia de se exercer num mundo hipócrita e bitolado.
   Sentou-se à minha frente uma mãe com criança de colo. Não saberia dizer se era menina ou menino, a criança. Fiz festinha e aquele comecinho de gente me sorriu um sorriso careca. O sol se punha, lindo, na janela do ônibus. Senti felicidade. Mas  já quase chegando meu ponto senti culpa por comprar por R$3,40 o direito de não andar por vinte minutos de casa até a faculdade. Saltei desejando que aquela mulher não estivesse me olhando, e que não pensasse mal de mim por gastar quase quatro contos por preguiça.
   Cheguei ao local do encontro antes do horário combinado. Sentei-me num banco e passei mecanicamente o troco do bolso à carteira. Faltavam agora vinte centavos para que eu pudesse voltar de ônibus para casa (o que é aconselhável, porque o horário, porque o short, porque as pernas de fora, etc). Me ocorreu pedir vinte centavos emprestados de alguém, mas de pronto mudei de ideia. Estava decidido: voltaria a pé. E, definitivamente, não seria só por conta de vinte centavos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Antigamente uma crendice popular contava que uma mulher que sentasse num banco quente engravidaria do último homem que tivesse sentado ali.

Hoje sentei num banco de ônibus aquecido pelo sol dessa cidade. Eu devo estar - pensei comigo - gestando fogo dentro de mim.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

voluntariado

Estava de férias em Natal quando decidi, num rompante, me desligar de uma bolsa que me pagava pra estar em sala de aula - coisa que amo - pra ter mais tempo pra dar aulas voluntariamente à crianças carentes. Sempre quis fazer algum tipo de trabalho voluntário.

Desde que dei o primeiro passo pra fora de casa, tenho dado atençõezinhas aqui e acolá a uma certa vovó muito fofa - mas não mais fofa do que a minha - e me dei conta de que voluntariado é doação, onde quer que se esteja. Altruísmo é tirar o amor da prateleira da teoria é encaixá-lo na corredia cotidiana..


domingo, 10 de agosto de 2014

1.9.0

Eu me sinto mais bonita
quando durmo com você
Hoje eu sinto que a própria vida
Resolveu amanhecer

Trazendo consigo uma graça
[própria, uma beleza
Uma casa com forninho e rede
em plena Santa Teresa

Eu nos vejo de mãos dadas
pelas ruas de Berlim
Eu te vejo num domingo ensolarado
tocando violão pra mim

Eu nos vejo dentro dessa correria
sem saber o que fazer
Eu me vejo num domingo à noite
cantando só pra você

Eu prevejo brechas
Eu escrevo peças
Eu faço canções

Você me desperta
de asas abertas
a plenos pulmões

E o dia vem, com caixas, flores e papeis
E vem a noite em luas cheias ou não
Vem as tardes de preguiça no sofá
Pina, Oswald, Oswaldo e Beauvoir

A vitória do cravo vem
E vem morangos e os plantões
venham também. E no mais,
Apontadores-gramofones-cais







quinta-feira, 7 de agosto de 2014

4x7

Também quero
Morar sozinha
E ter na cozinha
Um forninho amarelo

sábado, 2 de agosto de 2014

Di

Feliz como quando ia "conhecer" a Anahí. Como quando ganhei minha sapatilha de ponta. Como cada vez que me apaixonei por alguém e fui correspondida. Como na primeira e na última vez que subi num palco. Como quando viajei na consciência onírica. Como quando concluí o colégio. Como quando passei pro curso que sonhava na faculdade que queria! Como quando beijei meu amorzinho a última vez, sem precisar pensar em adeus, e poder pensar no próximo beijo, abraço, cafuné.

Hoje, querido diário, eu vou voltar a fazer teatro.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

fazdeconta

Amor é coisa feita à mão
costurada com linha de pipa
numa madrugada-cenário de ansiedade existencial.

Caderno é coisa feita pra guardar poesia
que é o que há de acalentar o dia
que o céu ainda nem bem costurou

Caderno feito à mão é coisa feita de-com-por amor

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Desesperadamente eu grito em português

Depois de meses resistindo, finalmente fui fazer as unhas num salão. Acho que foi a segunda vez que fiz isso na vida. Não que eu seja desprendida de vaidades (aliás, não mesmo), mas existem ambientes que definitivamente não combinam comigo, e salão é um deles. Mas fui lá. Era do lado da minha casa, estava com tempo livre, a unha estava uó, etc. Cheguei na hora marcada e a recepcionista disse "vou chamar a profissional, ta bem?". E ANUNCIOU num microfone:
- Profissional Silvana, cliente espera - com aquela voz de telemarketing, sabe?

Fiquei embasbacada com tanta pompa. Só queria dar um trato na unha, po. Me incomoda sinceramente esse papo de "profissional". É difícil pra mim entender a resistência das pessoas em chamar uma manicure de manicure. É a mesma resistência que as faz chamar empregadas/diaristas de "secretária", a mesma resistência que as faz chamar negros/negras de "afrodescendente" ou (essas são de doer) "moreninho", "escurinho". "De cor" (ai).

Caros nativos de língua portuguesa, entendam: se vocês acham que pega mal se referir à alguém como manicure quando ela trabalha pintando unhas, como empregada/diarista se ela vive desse trabalho, como negro ou negra se é a essa etnia que à qual essa pessoa pertence, saibam que vocês estão sendo duplamente preconceituosos. Isso não é ser politicamente correto - é ser hipócrita. Está implícito no discurso de quem chama sua empregada (que é o que ela é já que você a empregou, certo?) de secretária o pavor de que alguém descubra esse tom depreciativo que a palavra empregada adquiriu na mente de quem a evita. A empregada não é menos que você por trabalhar na sua casa. O negro não é menos que o branco (amarelo, vermelho, azul...) que o chama de negro. A manicure não é menos que eu por pintar as minhas unhas - eu vou pagar pelo trabalho no qual ela é especializada e eu sou um terror. Eu sou professora, ela é manicure. Simples assim.

Outra coisa que me incomodou recentemente no uso equivocado que as pessoas fazem da própria língua foi a total descontextualização de um discurso. Olhe, vou pedir um favor: não descontextualize Paulo Freire. Isso é coisa de gente que compartilha Caio F Abreu no facebook dando os créditos à Clarice ou ao Pessoa (nada contra o Caio, pelo contrário, mas respeitemos os cânones e principalmente as autorias, por favor). Retomando: leia Paulo Freire antes de compartilhar uma imagem criticando o PT  (e quero deixar claro que não sou partidária) pra mostrar pros seus amigos da faculdade que você é politizado. Leia porque aí: 1) você vai recobrar sua esperança na humanidade. Freire é o que há. E 2) você vai entender que a intenção dele com aquela frase linda ("Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor") não foi criticar a Dilma nem nenhum político que estivesse sendo alvo de críticas massificadas na época do Pedagogia do Oprimido, senão criticar essa cultura de abuso de poder que temos por aqui.

Pra me redimir, termino com Caio (creditando à Caio, porque é de Caio): que a revolução venha, "e que seja doce".

segunda-feira, 14 de julho de 2014

assim

Tenho vocação
para bocastronomia.
Quero desvendar
as estrelas do teu céu.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Eu ainda lembro

Era aula de geografia. Ensino fundamental II. Daquele professor que dizia que eu era comunista pela bandeira vermelha que eram meus cabelos. Ulisses - tinha que ser esse o nome daquele cara sensacional - conversava com a turma sobre o conceito de "qualidade de vida". Levantei o dedo. Questionei o fato de a medição de qualidade de vida se relacionar com poder aquisitivo e status de um indivíduo. O professor - comunista, por supuesto - olhou pra baixo entre desolado e "você tá certa". Anos depois o encontrei na Cinelândia, numa daquelas manifestações que não eram só por 20 centavos. Ele não me viu, mas vê-lo causou o mesmo turbilhão de sempre dentro de mim.

Continua não sendo só 20 centavos. Qualidade de vida não é poder. Felicidade mora dentro de mim e a correria da cidade não permite que eu mesma me ouça, me toque, me sinta, me cresça.

Vou me desligar do PIBID. Vou distribuir pedaços do céu por aí.  Vou me jogar trabalho voluntário. Não faz sentido ser professora e não dar aula da maneira que eu acredito que valha a pena.

Não faz sentido ter dinheiro pras aulas de dança se não tenho tempo de dançar sequer sábado a noite.

Não dá pra ser atriz nas entranhas e ficar sem fazer teatro. Não dá pra estudar Letras e não ter tempo de ler minhas poesias favoritas quando eu quiser ou precisar.

O tempo está a nosso serviço, e corre lentamente a nosso favor. Quero o tempo dos beijos. Dos olhares. Dos abraços e sorrisos. Quero o tempo do vento, das praias, do mantra agradecido ao universo. Quero o tempo das conciliações.

dhanyavad ♡ gratitud ♡ gratidão

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Flor

Me sinto bem
feliz porque o modernismo atenta pras gotas de chuva
e o celular descarregado me faz atentar pros raios de lua
feliz por pingar em meu prosaico cotidiano doses da cal mais poética de que já se ouviu falar

M

nada é tão imã
quanto um professor
de literatura apaixonado
pelo que ensina

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sinto muito

Mas quer saber? Não sinto culpa. Sim, você é incrível e meu ego adora que você veja qualquer coisa de poesia em mim. Qualquer coisa que valha a pena. Sim, você é incrível, mas isso não te dá o direito de dizer ao que eu vim e ao que eu não vim pro mundo. Mesmo que eu concorde contigo - e não estou dizendo que concordo. Ainda não me decidi sobre o que penso de mim mesma.

Você tem o direito de ter se sentido ofendido. Até porque, numa coisa está mesmo certo: deixei meu recado claro (ainda que sem querer): não quero compromisso. Com nada. Com ninguém. Com arte nem ciência. Com realidade de nenhum tipo. Comigo. Ninguém.

Sinto muito: tristeza, alegria, raiva, ansiedade, medo, amor. Mas não deixo senão rastros de sonhos em meu travesseiro ao despertar. Culpa alguma mora em mim.

Sinta você.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Bons ventos trarão a verdade

Curioso como a trilha que eu compus para um ex amor se adeque tão bem a outro ex amor.

Fosse noutros tempos, eu faria questão de ir te perguntar que foi que eu fiz pra simplesmente não ser tratada por você. Você que sabe perfeitamente o quanto eu detesto mais que tudo ser ignorada - porque destratar alguém é agir sob raiva mas ignorar alguém é brincar de considera-lo nada. E ninguém merece ser alvo de uma suposta invisibilidade. Você que sabe que eu não ignoraria nen meu maior inimigo (caso eu me desse ao luxo de ter inimigos).

Mas hoje sua ignorância não fere sequer meu ego. Talvez eu esteja mais madura desde o fim daquela história tristemente linda que eu tive a oportunidade de protagonizar tres años tras. Talvez eu tenha até me tornado menos sensível.

Mas eu tendo a crer que minha quase indiferença tenha a ver com o fato de, dessa vez,  eu trazer minha consciência absolutamente limpa.

Olho na tua cara e já nem te reconheço, o que também tem lá seu lado bom: aquela criatura a quem eu mil vezes declarei meu amorzinho ainda é de caráter intacto na minha memória.

Como a memória é cuidada pelo reino do Passado, importa menos o que é real do que aquilo que se lembra.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

la vida es circo

te veo
me ves
no nos miramos

otra gente
te aprieta las mejillas
a otra risa suenan
tus chidas cosquillas

otras amigas
de otra novia
? otra madrina?

cambio de opinión
(incluso política)
(si ustds supieran
cuántas q están equivocadas...)

no te extraño
pero te pienso
- !no lo niego! -

es que eso es raro...
el tiempo pasa, las cosas cambian
y lo que ya fue un solo corazón
hoy son trocitos de planetas diferntes
ineditamente combinados bajo la luz de un nuevo día.
un nuevo rompecabezas, una nueva cuerda floja.

domingo, 18 de maio de 2014

A vida é um observatório da própria vida

Há alguns dias, lembro-me bem, descia as rampas da faculdade acompanhada de dois amigos. Ríamos à toa, falávamos amenidades - a prova de fonética, aquela professora louca, etc. Eu estava frágil naquele dia. Frágil a ponto de não entender que, ao final das rampas, era natural que cada um seguisse seu caminho. O rapaz foi para o metrô. A moça foi para um ponto de ônibus do outro lado da rua. E eu me vi só.

Eu me senti só.

Senti o peso da solidão caindo nos meus ombros como se meus ombros sustentassem ali todo o firmamento. (A solidão é de um azul escuro como o azul escuro do céu quando é noite. Mas sem o pontilhado de estrelas. E azul escuro sem estrelas PESA.)

Voltei pra casa fragilizada e desesperadamente solitária. 

Dias passaram. Na tarde de hoje, estive em uma bela biblioteca com uma amiga. Mergulhamos cada uma em diferentes corredores que se dispunham lado a lado - ela, no que se via escrito "cinema" e eu, no que se via escrito "teatro". Nossa entrada simultânea nos diferentes corredores parecia ter sido coreografada. A risada foi inevitável. Me senti acompanhada.

Não porque houvesse alguém ao meu lado, mas porque havia a possibilidade de recorrer a alguém caso fosse necessário. Pode ser bobeira, mas aquele instante foi precioso. Entendi o seguinte: é natural cada um seguir o seu caminho. Cada um mergulha no corredor em que se vê escrita a palavra que lhe apraz. Mas os corredores estão todos dentro de uma mesma biblioteca, então, sempre acabaremos esbarrando com aquela amiga que tanto se precisava encontrar. 



sábado, 3 de maio de 2014

Geração-manifesto-frivolidade

Não, não, não, não, eu não consigo. Não acho que sexo obrigatoriamente tenha a ver com amor nem sou ninguém pra julgar quem lida com sexo de maneira leviana - cada um sabe de si. Mas eu não consigo achar que é só uma questão de pele. Sem olhar, sem arrepio, sem um encaixe absoluto e um certo afeto não dá, não dá, eu não consigo. Não me entenda mal: adoraria conseguir. Imagino que seja uma questão de entrega. Talvez eu só não esteja bêbada o suficiente, mas você está. E minha saia - é bem provável - é suficientemente curta pra você achar que eu tenho uma relação bem mais simples com o meu corpo sob o corpo de outras gentes. Mas ao contrário do que disse Elis naquela música que tocou agora há pouco, meu caro, as aparências enganam sim.

Sinceramente, nem o beijo assim, invasivo, faz sentido. Sem conversa, sem um flerte, sem - talvez, sei lá - suas mãos passeando lentamente pelo meu pescoço. Gosto dos seus olhos, da sua barba, da sua maldita blusa xadrez que me fez te perder no meio de mil caras de blusa xadrez. Gosto do seu beijo, até. Não me entenda mal. Mas não o suficiente para querer te beijar de novo, por exemplo - apesar dos seus olhos. As pessoas quase nunca lembram disso, mas um beijo é algo peculiarmente íntimo, e eu gosto muito dessa palavra - "íntimo" - porque ela diz exatamente o que eu quero dizer. É como se a palavra entrasse em mim quando eu a profiro: íntimo. Depois, ela escorre pelos cantos da boca, como escorre doce pelos cantos da boca de quem se delicia.

Quando eu pergunto quem é você, tudo bem se resumir em "João". Mas isso é muito vago, entende? Minha pele não quer saber teu nome. Meu corpo não ta interessado na faculdade que você faz. Eu queria mesmo era saber sua cor favorita, saber se você chora quando vê um filme triste, se acredita em deus e qual música você mais canta enquanto toma banho. Bacana você morar perto de uma saída do metrô em Copacabana, mas, sinceramente, acho melhor você procurar outra menina de saia curta pra te acompanhar na volta pra casa. Boa noite.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Deixar no ar

Apolo,

Te disse que ia escrever quando chegasse em casa e é só por isso – e não por falta de preguiça ou cansaço – que eu to fazendo isso agora.
Foi assim. Comecei a escrever e não parei enquanto o sono me deixasse continuar.
Assim, sem pensar. Sem revisar. Sem voltar atrás pra me corrigir – como eu deveria agir o tempo todo.
Eu não sei por que eu não consegui olhar pra você quando disse que você é especial ou importante, ou seja lá o que eu tenha dito, mas acho que é pelo mesmo motivo que te fez dizer “minha mãe diz isso todo dia!” naquele tom de brincadeira de quem não sabe ou tem vergonha de lidar com seriedade. Ou não quer deixar o clima sério demais, embora tivéssemos ali a leveza da pena de uma pomba branca voando sem destino com a brisa na beira da praia de Copa num dia de sol ameno. Mas a verdade é que você é, de fato, muito especial. Muito. Não é coisa pouca, não. Você é daqueles que fazem a vida valer a pena.
Porque você me faz perceber coisas em mim que eu sei que me fazem valer a pena. Porque você de vez em nunca se abre comigo e me fala da sua vida, e cada segundo de confiança que você deposita em mim e é extremamente valioso e eu queria que você soubesse disso.
Eu nem acho, por assim dizer, “necessário” estar escrevendo isso tudo pra garantir que você saiba o tamanho da sua importância na minha vida. De certa forma, estar aqui escrevendo pra você até vai contra algumas coisas que eu tenho pensado ultimamente. Porque algumas coisas – as mais importantes, desconfio – não precisam ser ensinadas, racionalizadas, explicadas, entendidas. E eu sei e você sabe (e eu sei que você sabe que eu sei) disso. As coisas mais importantes na vida só precisam ser sentidas.
Mas eu to te devendo três palavras há uns três anos e sei que você merece isso, por menor que seja minha atitude, embora eu esteja escrevendo e não falando... Mas imagine minha voz dizer assim, bem forte: eu te amo.

E ainda vou conseguir dizer isso te olhando fundo nos olhos, talvez com algumas lágrimas escorrendo pela minha pele, e certamente com o coração recarregado de esperanças, pronto pra me fazer seguir em frente, em busca de um rumo qualquer que me faça genuinamente feliz.

Com todo o sentimento do mundo,
Zanni

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Tô de licença!

 Eu já não sou mais a tua pequena, que pena... ♫ Que pena, amor. Que pena que outra pessoa te chame assim. Que pena que você chame outra pessoa assim. Não que seja pena você estar feliz. É pena que minha felicidade não siga o compasso da tua. Ando sincopada. 3 por 3. 1. E você? Calmaria acompanhada de calmaria, imagino. Paixão faz isso. Mãos dadas. Amor. Seu amor, minha saudade. 
  Que pena que eu não pude ser o amor que você julga merecer. Que pena que você não foi o amor só meu pra sempre. Que pena, que pena... Eu só sei me sentir pequena? Diacho! Será que vai vir outro amor? Deve vir. O amor sempre vem, dizem. É só estarmos alinhados com o universo, creio. Mas será que vai ser tão amor do jeito que o nosso era? Prevejo comparações. É a minha cara comparar flores e declarações. Acho que é a sua cara, também. E nessas comparações, é claro, quem ganha é quem ta do teu lado agora. Tanto ganha que continua do teu lado. Já reparou nessa competição surda que existe entre o amor presente e o amor passado? Fico desejando que, mesmo que só de vez em quando, você sinta falta de mim.
  Será que o seu amor de agora é tão Amor quanto o nosso foi? Sinto sua falta. Já passaram tantas águas que nem sei mais distinguir se sinto falta do seu amor ou de um amor qualquer. Já mudei tanto e voltei a ser quem era tantas vezes que não sei bem ao certo no que acredito quando o assunto é esse tal de amor. O amor... Essa complicação toda sem a qual eu não pareço conseguir ser feliz. Me identifico comigo como se eu não fosse eu. Me identifico com o meu próprio sentimento como se me deparasse com uma poesia de um desses grandes poetas. Vinícius, por exemplo. Sinto como sinto quando leio um poema de Vinícius e me identifico profundamente com o que ele diz. Sinto como se encontrasse o meu sentimento fora de mim. Uma espécie de compreensão recíproca, vinda de um mesmo lugar: meu peito.   Tanta coisa boa na minha vida, e eu inerte. Essa peça, e a delícia que é estar no palco e no camarim. A delícia que são os caquinhos de texto, os aplausos, os agudos que brilham, os elogios, a maquiagem e o figurino. O estágio, e a maravilha que é gostar tanto de querer ser professora. O laço que nunca se dissipa, os amigos tão bons, e o fim de tarde olhando Marani. Toda a grandeza da qual tenho percebido ser capaz... É tudo maravilhoso! E eu inerte. Maldita internet.    Não é que eu seja triste todo dia. Tenho fases como a lua, já diria Cecília. E hoje estou cansada, como Clarice. Cansada de fingir que te esqueci. Não é possível lidar bem com a tua ausência todo dia, afinal.  Às vezes escrevo por isso. Escrevi n'alma um poema cujo eu-lírico, após muito penar, superou seu ex amor. Mas hoje, o tal eu-lírico cansou. Hoje, a força está de licença. Como na época em que se brincava de pique-pega. Você deve ter brincado disso também. A gente pedia "licença", e ninguém podia pegar a gente. Licença poética deixa o eu-lírico imunizado da doença que é a obrigação de ser forte todo dia. Hoje, vou ser fraca. Hoje, vou assumir pro espelho que te amo e que sinto tua ausência em cada centímetro da minha pele. Hoje, vou admitir pro meu orgulho que tenho preguiça de seguir em frente. Tenho sido tão forte pra quem sofre de lonjuras, como Caio! Hoje vou me permitir sentir tua ausência e por ela sentir tristeza e não sentir culpa por isso. Hoje eu vou sentir. Ah, vou. Hoje eu vou sentir muito.