terça-feira, 28 de maio de 2013

Hace un mes se ha muerto mi abuela

Que não se pense que não sofro: sofro com a distância. Não me adapto ao tic tac. Dizem que isso faz parte do crescer. Ai, que falta sinto dos recreios! E que saudade imensa da Soninha!... Nossa tia Nastácia particular. Dividir o lanche com a melhor amiga.... Calcular o valor de dois mais dois, fechar o caderno e ir ver desenho até a hora de ir pra escola. Na escola, continuar brincando. Correr, subir em árvore, ser boa aluna sem saber como, porque ou o que isso significa. Ser feliz sem propósito. Todo dia, um depois do outro, cada um mais iluminado que o anterior.

Eu queria mesmo era uma máquina do tempo. Mas para ir e voltar sempre, que brincar de gente grande tem também seu lado bom (meu lindo amor, você entra aqui). Queria vovó contando história pra desanuviar minha cabeça. Queria ela por perto mesmo sabendo que não ia lhe contar nenhuma de minhas aflições.

Queria de vez em quando mergulhar na autêntica infância. Sei que esse ranço que trago dela nunca vai me largar, e isso é que me faz ter a parte de mim da qual me orgulho. Mas queria mergulhar porque, da infância, não havia olhar nostálgico sobre o passado. Não havia essa frustração incorrigível sobre minha incapacidade de acertar sempre, que me atormenta dia e noite. Nenhum "sinto muito" vai corrigir nada. Não enquanto eu não aprender a desculpar a mim.

ps. sorte ainda ter a poesia pra me servir de ladrão.

Um comentário:

  1. Não dá pra esquecer do que nos fez bem. Do que era inocente sem ser simulado. Essas são as lembranças que nos dá um significado real de saudade. Saudades do que nos era puro e simples. Fácil. Perto. Sincero.
    É assim que o texto me pareceu.
    (Espero ter chegado perto).

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Obrigada pelo comentário! Vou ler, e depois publico e respondo, ta?